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COVID-19 e seu impacto na solvência do setor de seguros


por: Ecar Seguros

A pandemia do novo coronavírus já está afetando diversas áreas do mercado, algo que não é diferente com o setor de seguros, principalmente em relação a solvência.

A solvência está relacionada à capacidade uma empresa cumprir os compromissos financeiros de longo prazo, sendo também o índice que mede até que ponto os ativos cobrem compromissos para pagamentos futuros (passivos).

Em relação às seguradoras, provavelmente diminuirão os índices de solvência como resultado dos mercados financeiros voláteis, que afetam os ativos e passivos dessas empresas.

Entretanto, a diminuição deste índice não significa que haja um problema no setor de seguros.

O risco de insolvência no setor certamente não é zero e essa situação traz alguns desafios para o primeiro plano.

A primeira análise é em relação ao nível de capitalização das companhias no Brasil, que é avaliado pelo Índice de cobertura do capital mínimo requerido, ou seja, suficiência do patrimônio líquido ajustado. Em relação a isso, até o início da pandemia tínhamos uma situação confortável. 

Mas qual o impacto da volatilidade dos mercados financeiros nos índices de solvência?

No momento, uma discussão à parte dos impactos no risco de subscrição, como mortalidade, morbidade, catástrofes, prêmios e provisões. Embora as seguradoras de vida e não vida de curto prazo possuam carteiras de ativos significativas, as seguradoras de vida e de previdência são vulneráveis.

Isso ocorre pelas garantias de remuneração mínima de juros e atualização monetária existentes nos passivos e da maior duração de carteiras de ativos para atender às responsabilidades de duração mais longa dos passivos de seguros.

Alguns dos principais fatores de redução dos índices de solvência no lado do ativo são: baixas taxas de juros, downgrade de rating de títulos, risco de crédito e volatilidade do mercado de ações.

Os movimentos nas taxas de juros geram mudanças nas taxas de desconto de passivos, o que resulta no aumento das avaliações dos mesmos e a um prolongamento do período de duração.

A extensão em que os aumentos no passivo excedem as alterações nos valores de ativos gera uma redução na solvência.

Em tempos como os atuais, as seguradoras devem evitar reações bruscas, que podem levar ao reconhecimento imediato de perdas, seguidas pelo risco de reinvestimento em um ambiente de taxa de juros reduzida.

O monitoramento de estratégias e as mitigações de gerenciamento de ativos e passivos são recomendados, assim como alterações para métodos mais sofisticados por conta própria, como nos modelos internos.

No Brasil, o índice de solvência no ano passado foi de aproximadamente 200% com o segmento de seguros, totalizando R$ 70 bilhões em patrimônio líquido ajustado frente ao capital regulatório de R$ 34 bilhões.

Embora o setor de seguros em geral seja considerado como bem capitalizado por esse motivo, pode haver uma nova realidade em termos de níveis de capital a longo prazo, impactada pela redução do apetite a risco dos acionistas ou ajustes propostos pelos reguladores.

Estes reguladores têm reagido de forma fluída e focado em fazer concessões às seguradoras para apoiar o mercado em tempos difíceis.

A solvência das seguradoras é essencial para a estabilidade do sistema financeiro, e é preciso ficar atento à medida em que a pandemia do novo coronavírus continua criando novos desafios para a sociedade.


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